A Nossa Revolução Particular

Muitas pessoas estão aderindo ao Desafio Nacional, e em muitos momentos, diz-se que foi essa ou aquela pessoa que começou, são estas ou aquelas pessoas que estão decidindo como será o blog. Mas a verdade, verdade mesmo, é que estamos fazendo nossa revolução particular sem líderes. Uma das coisas mais curiosas que se disse por aí é que há gente tentando se promover. Ora essa, há mesmo! Quem não quiser se promover, por favor retire-se da internet enquanto autor do mais singelo comentário que seja. Se “promoção” é sinônimo de “reconhecimento”, então o objetivo é justo esse.

Eu, Enderson Rafael, não tive a ideia. E se tive, não foi a primeira vez, nem minha, nem de muita gente que já dá suporte aos novos autores nacionais. A minha editora, Novas Ideias, gasta milhares de reais para publicar um livro de um autor pouco conhecido, sem ter lá muita garantia de que vai dar certo – até grandes autores produzem desastres comerciais, que dirá nós. Ela sim está fazendo sua parte, assim como as editoras e autores que tiram dinheiro do próprio bolso para colocarem seus livros na rua, assim como autores de blogs e sites que dedicam gratuitamente seu tempo à paixão pela literatura. O “Todas as estrelas do céu” está ganhando visibilidade com o projeto? Está sim, tive a sorte de acender a centelha de meninas como a Bianca, a Andy e a Iris, que estas sim, se mexeram de graça para colocar o projeto em andamento, e ainda foram imensamente gentis de citar meu nome. Mas o projeto não é meu, não é da Bianca, não é da Andy, nem da Iris. Ele é de todos nós, dos autores, das editoras, dos blogueiros, dos leitores. Todos estão convidados a participar, a dar sugestões, a enviar um email para desafionacional.adm@gmail.com dizendo o que acham. Eu, particularmente, acho que as meninas estão se saindo maravilhosamente bem. Montaram o perfil do twitter, o blog, o banner, criaram uma maneira de linkar as coisas, de centralizar a ideia do Desafio Nacional, de gerar tráfego para os livros, para os autores, para as editoras e para os próprios blogs. Merecem sim todo o reconhecimento que se puder dar. O mérito é delas. E de todo mundo que deu as ideias e colaborou apoiando a campanha. Falar é fácil, mas elas foram lá e fizeram. Estou muito orgulhoso, ou melhor, sou muito orgulhoso de ter colegas como elas.

A grande questão do Desafio Nacional é conseguir mais espaço no mercado editorial para os novos autores brasileiros. Sim, claro que todo mundo tem que ler o Chico Buarque, o Veríssimo, e outros autores maravilhosos que já têm o seu espaço, mas o calcanhar de aquiles do mercado editorial brasileiro é o do público jovem, que vem crescendo a índices deliciosamente surpreendentes. Chico, Veríssimo e outros, também tem lá seus problemas, disputando com gente que é super promovida e vem de fora, mas mal ou bem eles já são tratados em certo pé de igualdade. A questão somos nós, autores nacionais voltados para o público jovem, e que temos que disputar um mercado simplesmente tomado por títulos estrangeiros. Tudo bem, “Harry Potter” e “Crepúsculo” quase formaram esse público sozinhos, são ícones da literatura YA (Young Adults) não só no Brasil, mas no mundo todo. Mas tiveram essa chance depois de estourarem lá fora. E por que ninguém estourou aqui no mesmo período?! Só para constar, “Todas as estrelas do céu” está pronto desde 1999, quando J.K. Rowling apenas começava a pensar em ficar famosa, e só agora está sendo publicado. Mas reconheçamos, muitos títulos de fora são realmente maravilhosos e merecem o mérito. Não queremos criar uma ilha cultural aqui, não queremos uma lei que obrigue as editoras a publicarem os livros brasileiros. Apenas queremos que o mercado se equilibre, e como as grandes editoras andam muito ocupadas roubando raios e mordendo pescoços, o jeito é começarmos a revolução nós mesmos.

Pense em grandes autores internacionais. Meg Cabot, Dan Brown, Stephanie Meyer, toda essa gente tem um privilégio. Eles vivem de escrever. Logo, escrevem cada vez melhor, vendem cada vez mais livros, e vivem disso. O livro é lindo, é um momento maravilhoso, em que viajamos na imaginação nossa e do autor. Pois é, mas é um negócio.

Simples assim: vende, é publicado. Não vende, não é publicado. E pelo pouco dinheiro dedicado à publicação de novos autores por parte das editoras surgiu até uma aberração: a publicação independente, onde o próprio autor, além de escrever o livro, paga pela publicação. E o pior, há editoras especializadas em fazer isso, mas nem todas são corretas, na verdade, é comum ver novos autores sendo explorados por elas, que combram valores absurdos por trabalhos mal feitos.

No caso das poucas editoras sérias que publicam os novos autores, são gastos milhares de reais para a publicação de um autor, sem que ele precise desembolsar um centavo sequer – nada mais justo, afinal, seu trabalho foi o de escrever o livro. Mas o custo é alto: são revisores, designers editoriais, ilustradores, produtores gráficos, nos melhores casos até assessores de imprensa e profissionais de marketing. Sem falar de quem orquestra tudo, o editor, e dos distribuidores, que terão a hercúlea tarefa de fazer os livros chegarem até os leitores. Imagine só, toda essa gente sustenta a si própria com o dinheiro gerado pela venda dos livros. Todos têm contas pra pagar, inclusive o autor, que recebe por praxe do mercado, cerca de 10% de direito autoral – naturalmente negociáveis entre ambas as partes, pode ser mais ou menos, mas este é um valor de referência. Trocando em miúdos, se um livro custa 20 reais, o autor está levando R$2. Ou seja, qualquer emprego normal paga mais do que centenas de livros vendidos – e é muito difícil vender centenas de livros. Viver disso no Brasil, portanto, é privilégio de poucos. Mesmo grandes e bem sucedidos autores nacionais levam décadas para vender o que um estrangeiro tem de tiragem de estreia e que se esgota em meses.

E o problema é de duas coisas com relação aos livros publicados. Propaganda e distribuição. O livro não é conhecido, as livrarias não o querem, logo as editoras ficam com ele encalhado em seus estoques. E isso explica perfeitamente porque é muito mais fácil encontrar os títulos de grandes editoras nas livrarias em local de destaque do que encontrar estes que nós conhecemos tão bem através dos blogs que fazem a gentileza de nos resenhar. Nossas pequenas editoras não têm dinheiro para “chegar chegando”, e por isso, nossos livros, embora tão bons quanto muitos estrangeiros, literalmente morrem na praia. Ciclo vicioso: as editoras tentam publicar os nacionais, mas pouca gente fica sabendo deles, as livrarias não os aceitam por não os conhecerem, eles encalham, dão prejuízo, e assim as editoras não publicam mais os autores nacionais – sem falar que nós, que trabalhamos em empregos normais, não podemos nos dedicar mais à literatura simplesmente porque ela não dá retorno, e portanto, passamos a escrever, se não pior, pelo menos bem menos.

O coração do Desafio Nacional é inverter, subverter essa ordem. Nossas editoras não têm dinheiro para colocar os novos autores nacionais nas livrarias, mas se vocês pedirem pelos nossos livros na livraria, elas se interessarão. Se vocês encomendarem, perguntarem, pedirem, mandarem emails, as livrarias procurarão nossas editoras e pedirão pelos livros. Quando os livros estiverem, finalmente, na livraria, vocês poderão comprá-los, e o que é muito melhor: gente que nunca nem soube do Desafio Nacional, conhecerá os nossos livros quando os virem lá, e quem sabe se apaixonem como vocês se apaixonaram, e os comprem. E quando eles acabarem, as livrarias ligarão pra editoras e encomendarão mais livros, e assim as coisas andarão, até acabar a primeira edição, e as editoras poderem fazer as edições subsequentes, onde elas poderão ter muito mais lucro – o custo da primeira edição é muito alto, das outras nem tanto pois já está tudo pronto, revisão, projeto gráfico, tudo – e não só continuarão a publicar aqueles autores como darão chance aos novos autores, que ainda não conseguiram ser publicados embora tenham livros maravilhosos escritos. Já pensaram nisso, quantos autores maravilhosos ainda não foram descobertos, quantos “Fazendo meu filme” estão escondidos por aí esperando por uma chance?! E como faremos isso? Com barulho, muito barulho.

Como eu já disse antes, a assessoria do “Todas as estrelas do céu” e a Editora 2AB, dona do selo “Novas Ideias”, que está publicando meu romance, não só apoiam o Desafio Nacional, como farão tudo que for possível para que o “Todas as estrelas do céu” seja uma referência dessa revolução. Todo o espaço que o “Todas” tiver na mídia, tentará trazer o projeto junto, afinal, meu livro não é o único lutando por esse lugar ao sol, há muitos e muitos autores, livros, editoras, que vão vir conosco nessa ideia, para mostrarmos ao grande público que existimos e somos ótima literatura. Quem sabe um dia, um desses nossos livros não seja para a literatura jovem nacional o que hoje é o “Carlota Joaquina” para o cinema nacional, um símbolo de renascimento e trabalho bem feito? Acredito que se fizermos tudo direitinho, dentro de alguns meses, um pouco mais talvez, os livros brasileiros comecem a aparecer mais nas livrarias, e aquela engrenagem da qual eu falei antes, então, começará a rodar por conta própria. E a participação de vocês é fundamental, autores, editoras, blogueiros e claro, leitores. O “Todas as estrelas do céu” está à venda já, e já pode ser encomendado pelas livrarias. O mesmo vale para todos os outros livros dos autores que estão relacionados aqui no blog. Então, se você quer ter o livro, dar de presente, indicar, vá lá na livraria e peça, encomende, diga que quer poder comprá-lo. É uma guerra com as grandes editoras e títulos estrangeiros cheios de investimento de marketing e vendas por trás, mas nós, pobrezinhos, dependemos das táticas de guerrilha, e vocês são nossos guerrilheiros. Leiam nossos autores, reconheçam os cenários, sintam como se os personagens fossem seus amigos, colegas, vizinhos. Eu prometo, vocês não irão se arrepender.   


Enderson Rafael

14 comentários:

Drica Bitarello disse...

Enderson, nunca vi um assunto ser abordado com tanta elegância, propriedade e objetividade como você o fez.
Assino embaixo de tudo o que você disse, meu caro colega.
E desejo que um dia nós consigamos fazer de nossa dupla jornada, de escritores-gente-normal, uma jornada integralmente dedicada a literatura, nossa profissão por vocação.

BJS da Drica ;-)

Bianca Briones disse...

Como disse a primeira vez que li, estou emocionada. *__*
Sou mole e choro fácil.
Acredito de coração nesse projeto. Tenho certeza do que somos capazes juntos. Saber que você confia no que estamos fazendo me dá um alívio imenso e intensifica essas melecas de lágrimas insistentes. rs
Obrigada por nos influenciar dessa maneira.
E mesmo que você sempre se negue e se coloque humildemente no Desafio Nacional, para mim, você sempre será aquele que despertou em nós a vontade de mudar tudo.

Obrigada.

Parabéns.

Cíntia Mara disse...

Ótimo texto, Enderson!

Sinceramente, eu não entendi nada dessa "confusão" que rolou. Como você disse, é óbvio que a idéia é promover. Os blogueiros vão divulgar os livros e, pelo fato de nossos links estarem aqui juntos, os blogs também serão promovidos. Todo mundo vai sair ganhando!

Espero mesmo que o projeto vingue, as livrarias passem a vender mais nacionais, as editoras publiquem mais, etc. Só quero ter mais livros bons para ler e já está mais que provada a competência dos brasileiros.

:*

viajenaleitura.com.br disse...

Enderson,meninas,a paixão,o amor á nossa literatura,falou mais alto,com certeza,li muitos livros na minha vida,afinal comecei a ler cedo,e uma das grandes descobertas que tive,foi a da nossa Literatura Contemporânea,me surpreendi,ainda estou me surpreendendo,e descobri autores maravilhosos,se estão se promovendo? Como citou sabiamente o Enderson,com certeza, o que de melhor no nosso país ,deve ser divulgado sim ! Com carinho,dedicação e aí está esse projeto do desafio Nacional para provar que sim,felizmente,a mídia está aí para ajudar-nos a mostrar que somos brasileiros e lemos muito!!!

Beijos à todos os idealizadores!!!

Andrey Alves disse...

Concordo com cada palavra deste post, acredito que todos nós, unidos, podemos sim quebrar essa barreira. Por mais árdua que essa batalha seja, estaremos lá nós "guerrilheiros" batalhando para conseguir vencê-la.

Ainda não enviei nenhum email para a organização do projeto, mas estou para enviar, assumo esse compromisso comigo mesmo de enviá-lo e quem sabe colocar uma página especial somente relacionado ao Desafio Nacional em meu blog.

Bom, aqui só posso dar os parabéns e dizer que podem contar comigo.

Andrey" Brito.

Rafa disse...

Enderson, falou tdo q eu gostaria de falar, mas mto melhor!!! É isso aí, já tava na hora dos autores brasileiros de alguma maneira se reunirem para tentar destravar o sistema editorial. O DN chegou pra bombar msmo, apoio totalmente e acho que é importantíssimo isso de juntar os brilhantes jovens escritores e também os novos talentos que estão por vir...Bjossssssssssss

Tħαynα' disse...

Enderson, tenho que admitir que estou sem palavras.
O jeito que você abordou o tema, com tanta elegância, entusiasmo e emoção, poucos fariam igual.
E como você citou no texto, eu, por experiência e convívio com uma autora conhecida minha, a vi batalhar para ter seu livro publicado, e ela conseguiu, mas teve que pagar uma boa quantia à editora para poder lançar o livro.
O livro em si não fez muito sucesso, mas mesmo assim, achei um absurdo ela ter que pagar tal quantia.
E é por isso que estou nessa junto com vocês, por que conheço gente que tem muito potencial, e que escreve muito bem, mas tem que seguir outra carreira, pois ser escritor e tornar-se reconhecido é um longo caminho.
Adorei o post, e me emocionei, confesso. Agora estou com mais vontade ainda de participar do desafio!
Beijos, e tudo de bom,
Thayná.

M.F. disse...

Também fiquei emocionada com isso tudo, rs. Adoro esse espírito de otimismo, força e revolução :) e acredito muito nesse projeto.

Isso que você falou me lembrou um texto que li ontem no blog O Bule (um ótimo blog sobre literatura - http://o-bule.blogspot.com)... O autor comentava que muitas vezes os próprios escritores estão mais interessados em ter divulgação, mas não colaboram na divulgação de outros escritores igualmente iniciantes. Muitos não iam comprar livros, pedir livros na livraria, ajudar a divulgar, etc... Eu acho que muita gente ainda deve estar presa no "medo da concorrência" ou algo assim, sem perceber que uma coisa puxa a outra aqui e a literatura nacional, como um todo, precisa andar e crescer.

Acho que esse texto ao qual eu me referi vale a pena ser lido, é bom pra gente parar e pensar. É preciso empenho pra fazer todo esse projeto caminhar, empenho por parte de todos, e enquanto as pessoas estiverem mais preocupadas com o próprio umbigo (com o próprio manuscrito), com medo de serem esmagadas pela teórica concorrência, então a literatura nacional vai acabar ficando empacada junto.

Bem, eu - como aquariana - já fiquei imaginando mil coisas que poderiam ser feitas pra ajudar o projeto, rs. Vou admitir que me empolguei bastante com isso tudo e espero ajudar em tudo que eu puder! :)

Beijos, Enderson, ótimo texto!

Parreira disse...

Grande iniciativa. Alguma coisa finalmente está acontecendo no mercado. Só não vê quem não quer. Ou não acha conveniente.

Parabéns!

Enderson disse...

Pessoas queridas, sempre gentis! Agradeço muitíssimo o apoio de todos vcs, sinto que estamos no caminho certo! Andei zapeando as dicas que deram aqui nos comments, estou dando RT nelas! Em breve faremos ainda mais barulho! Vamos tirar a poeira das livrarias, minha gente! Como disse a Rafa, ecoada por todos, "destravar" o mercado editorial! Beijo enorme!

_~Ty~_ disse...

Você disse tudo Enderson!!! Parabens!! Assino embaixo e vou fazer de tudo para que o Desafio Nacional só cresça!! Parabens tbm as meninas por todo o esforço!!
Queremos 'barulho muito barulho'!!! hsuahuasu
beijos

Cíntia Mara disse...

Gente, uma idéia me ocorreu agora, se várias pessoas toparem pode funcionar... Os sites das livrarias costumam ter a opção de escrever resenhas para os livros. Em alguns deles, as resenhas são moderadas, fazendo com que alguém precise lê-las. Se nós começarmos a publicar nossas opiniões nesses sites, não só as livrarias vão ver que os livros são bons, como os leitores que chegarem 'por acaso' vão se sentir mais estimulados a comprar. O que acham?

Beijos

Nanda disse...

Nossa, que belas palavras Enderson! (como sempre né)
Eu tenho acompanhado o Desafio Nacional de perto e vi como esse projeto cresceu rapidamente. Acredito muito, de coração mesmo, que temos condições de quebrar todas as barreiras dessa grande batalha que vcs, nossos autores nacionais, enfrentam!

Apoio muito e queria ter mais tempo pra ajudar vocês... =(

Sei o quanto é difícil, pois eu mesma escrevi um livro aos 15 anos e não consegui com que fosse publicado. Claro, acredito que era bem imatura, mas quando tive a ideia, comecei a escrever e não parei mais!... Enfim, são aguas passadas e hj não pretendo mais publicá-lo.

Por isso estou aqui p/ dar meu total voto de confiança aos idealizadores do projeto e aos escritores tbm!
Quero que saibam que podem contar comigo!

Bjos
Nanda

Just *-* Me disse...

Olá, Ederson!
Achei essa ideia maravilhosa, é uma oportunidade e tanto para os novos autores, que também merecem reconhecimento! Gostaria de saber se posso incluir meu blog no Desafio e como posso fazer isso.
Beijos.